Catolicismo Antigo? Liberal? O que é isso?

Respostas e perguntas de esclarecimento

Alto! Eu nunca li ou vi nada disto anteriormente! Vocês dizem que há mais de uma Igreja Católica?

Não. Há apenas uma Igreja Católica, parte da ainda maior Igreja Cristã. Contudo há realmente um número razoável de denominações católicas. A mais conhecida é a Igreja Católica Romana, sendo que a mesma é apenas uma das denominações. Embora esmagadoramente maior de todas as outras. Este facto é comummente omisso. Existem portanto várias denominações que não estão sob o controlo ou governo de Roma. Como grupo, estas denominações são mencionadas como sendo parte do “movimento independente” dentro do grande catolicismo.

Mas eu pensei que “denominação” era uma religião separada.

A denominação é uma organização. E por isso “é um grupo de seres humanos falíveis” que se reúnem em adoração, juntam fundos de ajuda, constroem edifícios, operam ministérios, etc. Na verdade se pensarmos verdadeiramente na parte organizativa, seria escusado o uso da palavra Igreja visto que o significado actual da mesma se prende à parte espiritual e não física.

Na verdade, quase todas as denominações católicas partilham a mesma de fé estabelecida antes do ano 1000 d.C.; mas cada denominação é organizada e gerida separadamente. Portanto, há unidade na fé, mas diversidade na prática e na governação. (É importante não confundir as questões de fé com as questões práticas da igreja e da governação!)

 O Papa dirige a Igreja Católica Romana. Quem dirige estas outras?

Cada denominação é dirigida por seus próprios bispos. O Papa é um bispo que foi eleito pelos seus irmãos iguais bispos para gerir e dar a face pela Igreja Católica Romana.

Nas restantes denominações católicas existe geralmente um Conselho de Governação Episcopal, esse conselho, reunido em Sínodo pode eleger ou não um Patriarca para representar a denominação.

O bispo não tem de receber uma unção específica? Pensei que só o Papa pudesse dar essa unção.

Na Igreja Romana, sim. Por acordo entre todos os bispos dessa denominação. Na consagração episcopal o bispo eleito exerce na plenitude da sua liberdade um juramento de fidelidade a Roma. Esse juramento tem como finalidade assegurar a não divisão dessa denominação e manter a cadeia hierárquica incorrupta.

No entanto, cada bispo, uma vez consagrado, é investido com a plenitude do sacerdócio. Essa inclui o poder de consagrar novos bispos. O processo envolve a “imposição das mãos” e outros critérios numa sequência idêntica e ininterrupta que remonta aos doze apóstolos originais os primeiros bispos do Cristianismo.

Esta ligação é conhecida como sucessão apostólica. A denominação é considerada apostólica quando consegue traçar as consagrações dos seus bispos até à Igreja original estabelecida pelo próprio Cristo. É por isso que somos legitimamente uma congregação apostólica. Cada um dos nossos Bispos possui a descrição extensa da sua linhagem até aos apóstolos. Consideramos também que o episcopado, deverá incluir nos seus trâmites a fase de eleição, onde o bispo proposto deverá ser reconhecido por outros três bispos da mesma ou de outras denominações católicas legítimas. Só depois deste reconhecimento e da assinatura da bula de eleição se poderá efectuar em tempo oportuno a consagração. Essa deverá ser consumada por três bispos reconhecidos, existindo casos onde poderá ser efectuada com dois. Nesse caso e de forma a manter a tradição intacta, é aconselhável que o novo consagrado receba mais uma consagração sub conditione.

Isto significa que no passado as linhas de sucessão se romperam na Igreja Católica original?

A história da igreja católica é muito mais complexa do que geralmente se percebe e sabe. Contudo para os estudantes sérios e isentos é fácil constatar que a Igreja sofreu imensas separações, desde sempre, por questões de disciplina e governação. Não por questões de Fé. As duas maiores divisões – geralmente chamadas de cismas – são a dos ortodoxos do Oriente em 1054 d.C. e a da Comunhão Anglicana em 1534 d.C.. Ambos ortodoxos e anglicanos podem ser apelidados de católicos. Pois catholicos significa universal (ver artigo descritivo). Contudo a Igreja de Roma ainda mostra alguma hesitação nesta atitude.

Outra raiz deriva de vários exemplos onde ao longo da história de Roma, foram dadas permissões a dioceses para eleger os seus próprios bispos. Por razões que hoje podem parecer exótica ou obscura. Os Bispos independentes de Roma surgiram através destes dois mecanismos.

Entendo, e o que pensam da grande confusão acerca do controle da natalidade. Os bispos do movimento independente perpetuam o mesmo pensamento?

Não. Cada denominação estabelece seu próprio código de direito canónico. A maioria das denominações decidiu que a contracepção é uma questão de consciência, uma decisão que respeita ao casal. Isto não significa que seja encarada levianamente. Pelo contrário. É uma questão importante na vida familiar, que é também um dom de Deus. Como tal não existe na nossa congregação nenhum tipo de proibição contra os métodos contraceptivos.

E acerca do casamento de padres?

A nossa posição é similar. A Igreja Católica Romana é o único grande grupo religioso em toda a cristandade com um clero celibatário. E mesmo dentro da Santa Sé existem Igreja que permitem o casamento de padres. Facto praticamente desconhecido da maioria dos católicos romanos.

As razões históricas, são difíceis de explicar neste resumo. Diremos sumamente que o celibato obrigatório se tornou uma exigência da Igreja Católica Romana por volta do ano 1100 d.C..

Durante os primeiros mil anos de história católica, padres, bispos e até papas foram casados, à imagem de alguns apóstolos. Uns casaram, outros não. Cremos que a obrigação de celibato  para sacerdotes ordenados impede muitas pessoas dignas de servir Cristo no sacerdócio.

No movimento independente o celibato é tratado como uma vocação especial, não como uma exigência.

E o divórcio? Parece-vos bem?

O divórcio nunca é fácil. Por vezes os seres humanos casam-se em tenra idade, sem preparação suficiente ou no calor de uma paixão que mascara problemas futuros profundos.

A maioria das denominações Católicas independentes leva estes factores em conta e reconhece que a mensagem de Cristo é de amor e perdão. A maioria das denominações Católicas independentes sente que o divórcio não deve ser uma parede intransponível entre dois seres humanos infelizes. E oferece a ajuda dos sacramentos para os confortar. Várias denominações católicas oferecem aconselhamento especial a divorciados. Primeiro para os receber de braços abertos no catolicismo e também para os ajudar a encontrar, se esse for o desejo, a sabedoria do reencontro. A nossa Congregação acolhe todos os cristãos nas suas assembleias, não os distinguindo por sofrimento ou pelas asperezas da vida. Cremos que todos os baptizados, divorciados ou casados, têm o direito de participar plenamente na vida da Igreja, o que inclui o direito de comungar.

O que pensam de sacerdotes mulheres?

Embora não exista consenso no mundo Católico acerca da ordenação de mulheres, cada vez mais denominações independentes concedem o direito à ordenação feminina. Havendo casos de consagrações episcopais de senhoras.

Cremos que as mulheres devem ter um papel activo na vida e na governação da igreja e portanto aceitamos com agrado a vocação feminina.

E acerca da homossexualidade masculina e feminina? Como vêm a questão?

Assim como na questão da ordenação de mulheres, ainda não existe um consenso no que toca à homossexualidade e ao papel dos gays e lésbicas na Igreja.

Algumas denominações católicas independentes sustentam a visão tradicional de que a homossexualidade é intrinsecamente uma desordem, aconselhamento a abstinência total de qualquer tipo de actividade com pessoas do mesmo sexo e assim, recusando-se a ordenar não celibatários gays e lésbicas ao sacerdócio.

Outras denominações Católicas possuem uma posição mais liberal, vendo a homossexualidade como um facto real e individual e como tal não inerentemente pecaminoso ou desordenado. Algumas destas denominações autorizam a ordenação sacerdotal de gays e lésbicas, abençoando sacramentalmente as uniões do mesmo sexo.

Pensamos que as questões divinas são superiores às questões humanas e que a fé enquanto vivência pessoal é independente da opção sexual. Cremos que Cristo veio ao mundo para trazer ruma boa nova e que nela não consta nenhum tipo de tratado ou mensagem que verse acerca de sexo.

Isso é tudo muito interessante. Há muito anos que não vou à Igreja e sinto-me meio desactualizado. Porque é que não ouvi falar do movimento católico independente previamente?

O movimento ainda é pequeno e entre a Segunda Guerra Mundial e 1990 perdeu grande parte da sua massa crítica quase a ponto de se extinguir por falta de divulgação. A Internet trouxe uma nova vida e uma nova energia a este movimento. Hoje existem muitas maneiras de nos darmos a conhecer. Hoje a maioria das denominações do Movimento Católico Independente têm seus próprios sites. Também não fazemos muita publicidade, visto que desejamos ter bons membros e não muitos membros

 (Adaptado de What’s Going on Here?!?! Answers to Common Questions about the Independent Catholic Movement by Jeff Duntemann)